Benefícios Sociais do Bitcoin – Yuri Bezerra

Em que pese as enormes variações do valor do Bitcoin, gerando incertezas quanto a seu futuro. Em que pese a gama de possibilidades que ele apresenta a criminosos que visam aproveitar de seus benefícios para disfarçar rendas e até mesmo esquemas milionários de lavagem de dinheiro. O Bitcoin, e outras criptomoedas apresentam enorme potencial para mudar a vida de muitas pessoas, sobretudo das classes mais pobres da população mundial.

Embora ainda haja certo preconceito com o uso das moedas digitais, os modelos regulatórios, em essencial o brasileiro, já demonstrou que não é tão simples utilizar a moeda para esconder crimes. Há várias possibilidades de rastreio dessa renda. Além disso, o BTC já é totalmente tributável pelo Estado brasileiro, seja direta ou indiretamente. A renda advinda dessas moedas e suas transações são declaradas no Blockchain, o “livro-razão”, do Bitcoin. Não é impossível rastrear uma transação. Todavia, concordamos que ainda seja muito difícil.

Tratando-se dos benefícios sociais trazidos pelo Bitcoin e demais moedas que surgiram neste caminho, um dos mais importantes a serem visualizados é a universalização de acesso a serviços financeiros. Estima-se que no mundo há cerca de 2,5 bilhões de pessoas com idade acima de 18 anos que não se encontram “bancarizadas”, isto é, não são abrangidas por qualquer serviço bancário. Tampouco, têm acesso a qualquer tipo de crédito.

Esse fenômeno, o qual podemos chamar de “exclusão financeira” representa a falha na regulação promovida pelos governos, sobretudo dos países desenvolvido, onde se vê comumente, pessoas com documentações irregulares, legislações obscuras e altamente onerosas, altos custos de manutenção de infraestrutura bancária a qual se torna ineficiente e incapaz de atender a toda a população da forma como atua tradicionalmente.

Como foco no alto custo do modelo bancário atual, demonstra-se a dificuldade para que se atenda microempreendedores e microeconomias regionais. Nesse caso, frise-se áreas rurais do semiárido brasileiro e áreas do centro-norte africano, onde os produtores rurais não possuem qualquer acesso ao atual sistema, seja porque essa tecnologia não chega a essas regiões, seja porque essas pessoas não têm como comprovar seus próprios ativos como forma de se garantir perante o atual sistema bancário.

Quanto menos garantias se oferece ao sistema bancário atual, mais taxas você deve pagar para ter acesso a estes serviços. Se você não tem reputação, você é um “risco” para o banco. Se ele te fornece um empréstimo e você não paga, significa que o banco pagará a conta. Então, se transfere esse risco ao cliente. Ao fazer isso, se diminui abruptamente a gama de pessoas com a acesso aos serviços financeiros tradicionais.

Não fosse isso, somam-se às taxas de “risco” a manutenção de infraestruturas bancárias. Quanto mais distantes forem as regiões, dos centros econômicos, mais caro se torna realizar qualquer tipo de transação, haja visto a necessidade do serviço deste terceiro garantidor: O Banco. A solução clara seria a adoção de uma moeda digital. Seus custos são infinitamente menores. Tampouco necessitam da infraestrutura bancária. Retira-se o terceiro garantidor. Garante-se liberdade sobre o seu próprio patrimônio.

No Brasil, as pequenas e microempresas representam parcela fundamental da economia. O uso de moedas digitais como fomento dessa economia significa um avanço que jamais foi experimentado. Essas pessoas, hoje consideradas hipossuficientes para a acepção jurídica também devem ter acesso ao crédito, bem como devem ter oportunidade para gerar rendar, acumular patrimônio e além disso, poderem consumir o produto da sua produção.

Em conclusão, ainda é importante frisar que o escopo do Bitcoin nunca foi possibilitar o acesso das classes mais pobres da sociedade. Todavia, o sistema criou uma alternativa ao obsoleto sistema atual. Essa nova opção, por ser mais barata cria todo um leque de oportunidades para pessoas que sobreviviam apenas do microcrédito. O Bitcoin não é só mais uma moeda, é a liberdade financeira. É uma saída ao atual modelo baseado em moeda fiduciária para um modelo fundamentando em tecnologias de compartilhamento de informações.

Yuri Bezerra.

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