A Síndrome da Alienação Parental – O mal que evoluiu com a sociedade. Por Valéria Muniz

Vivemos em uma sociedade onde o modelo original do conceito família foi alterado ao logo do tempo, e diante da evolução da sociedade e dos meios que nos cercam, comportamentos e atitudes foram alterados sem que percebêssemos.

Com essa evolução nos adaptamos ao que era proposto pela mudança e sem perceber chegamos a um patamar onde nossas atitudes passaram a atingir nossos filhos de uma forma imperceptível, como é o caso da Síndrome da Alienação Parental.

A Síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, sigla utilizada por Richard Gardner em 1985 para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade, medo, raiva e temor em relação ao outro genitor.

Percebemos que a Síndrome da Alienação Parental não é um problema novo, mas apenas a continuidade de um problema existente ao longo dos anos. Dificuldade que não foi tratada, entendida e muito menos observada na tentativa de encontrar uma solução.

A Síndrome da Alienação Parental vem atingindo gerações, não é um problema desse novo século conforme muitos estudiosos pensam ser. Se pararmos para analisar perceberemos que nossos avôs, ou os avôs deles narram fatos semelhantes ao que vivemos hoje, porém de uma forma mais amenizada.

Afinal, há 50 anos não tínhamos a quantidade de divórcios como temos hoje em 2018, como também não tínhamos tantas crianças sendo criadas pelos avôs, tios ou mesmo irmãos.

Tudo isso ocorre diante da grande quantidade de divórcios que chegam até o judiciário, famílias sendo desfeitas de qualquer maneira sem que percebam a existência da criança diante do conflito, que é a separação.

No artigo 2o da Lei 12.318/2010 diz que considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

E é justamente isso, a SAP cria na criança fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor, medo de estar na presença, medo de dirigir a palavra e até receio de permanecer e ter convívio com o genitor (a).

Podemos ir além e avançar para outros membros da família, como por exemplo avós. Nossa sociedade é composta por muitas famílias onde os avôs criam seus netos, e temos muitos relatos onde os pais biológicos tentam denegrir a imagem dos avôs diante da criança ou ao contrario, os avôs desmitificam a imagens dos pais, treinando a criança para romper os laços afetivos.

Os casos mais freqüentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações onde a ruptura da vida conjugal do casal, gera em um dos genitores, uma tendência vingativa muito grande. Assim passando a acreditar que denegrindo a imagem do outro genitor diante da criança alcançará seu objetivo que é atingir o âmogo do outro genitor.

Quando este não consegue elaborar adequadamente o luto da separação, desencadeia um processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito do ex-cônjuge. E assim neste processo de vingança passa a utilizar o filho como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro.

Ocorre que diante dessa situação quem mais se prejudica é a criança, passando a construir uma imagem negativa desse genitor(a), gerando um sentimento de repúdio e medo, rompendo os laços afetivos.

Estatística sobre a Síndrome da Alienação Parental mostra que 80% dos filhos de pais divorciados já sofreram algum tipo de alienação parental, considera-se que mais de 20 milhões de crianças sofram este tipo de violência sem que os holofotes da sociedade vejam ou saibam.

SAP não é apenas um problema isolado, pelo contrário todos os dias vejo crianças sendo utilizadas para Denigrem a imagem do outro genitor, como se fossem objetos ou verdadeiras armas apontadas que a qualquer momento pode ser puxado o gatilho.

O simples fato de fazer comentários que coloque em dúvida a imagem do outro genitor, causa na criança o desconforto, medo e o sentimento de abandono.

A reação dessa criança alienada é colocar pra fora o seu sentimento através de atitudes e comportamentos inadequados diante de outras pessoas, tais como sentimento constante de raiva e ódio contra o genitor alienado e sua família, recusa de dar atenção, visitar, ou se comunicar com o outro genitor, guarda sentimentos e crenças negativas sobre a imagem do outro genitor, atitudes inconsequentes, exageradas ou inverossímeis com a realidade.

Como pais, professores, educadores e sociedade temos que ter o conhecimento que a SAP é uma prática destruidora e que se utilizada de forma recorrente põe em risco a saúde emocional e compromete o sadio desenvolvimento de uma criança, e não apenas a destruição da imagem do outro genitor, a pratica causa problemas muito além.

Temos que ter em mente que estamos criando pessoas, que poderá ser o novo presidente do país, um médico, um advogado, um Juiz, um ser que esta em transformação e crescimento e que de certa forma estamos criando o futuro do nosso país.

Em razão dos inúmeros problemas envolvendo a sociedade moderna, como por exemplo, cometimento de crimes, prisões, inquirições e depoimentos de crianças e adolescentes junto ao Poder Judiciário, é que temos que acordar e tentar enxergar onde esta o erro e corrigi-lo, antes que chegue a outro patamar.

Pois um problema gerado dentro do ambiente familiar, colocará uma sociedade em perigo. Um problema levará a outro muito maior.

Por isso é de suma importância a intervenção da Psicologia para entender e enfrentar a Síndrome da Alienação Parental, na tentativa de resgatar a criança e a família diante de seu posicionamento em relação à imagem do genitor agredido.

Por esse motivo foi criada a lei 12.318/2010, e o primordial escopo da Lei é regular de forma eficaz o convívio dos filhos com ambos os genitores após o divórcio, estabelecendo para tanto, alguns critérios acerca dos direitos dos pais e das crianças e/ou adolescentes, diante da sociedade familiar.